sábado, 20 de dezembro de 2025

Dicas de filmes - Parte 25

01- "Florence: Quem é essa mulher?" (Florence Foster Jenkins), dirigido por Stephen Frears (2016);

- Baseado na extraordinária história de vida de Florence Foster Jenkins e contando com atuações brilhantes de Meryl Streep, Hugh Grant e Simon Helberg, o filme é hilário ao ponto de provocar gargalhadas e comovente o suficiente para arrancar lágrimas — tudo no momento certo.


02- "Caramelo", dirigido por Diego Freitas (2025);

- Drama estrelado por Rafael Vitti e pelo cão Amendoim, acompanha Pedro, um jovem cozinheiro que vê seus planos mudarem após um diagnóstico inesperado. A chegada de um vira-lata transforma sua rotina e revela lições de amizade, empatia e autocuidado. O longa aborda o abandono e o acolhimento de animais, emocionando com a delicada relação entre homem e cão.


03- "Mundos Opostos" (Enos Allos Kosmos), dirigido por Christopher Papakaliatis (2016);

-  O filme entrelaça três histórias de gregos que se apaixonam por imigrantes, refletindo dilemas universais como imigração, preconceito e xenofobia, além de combinar poesia e realismo, oferecendo ao público atuações convincentes e diálogos memoráveis. Para mim, sua produção impecável e relevância temática são ingredientes suficientes para transformá-lo num clássico.


04- "Cordeiros e Carrascos" (Shepherds and Butchers), dirigido por Oliver Schmitz (2017);

- Inspirado em fatos reais, esse potente longa-metragem tem como protagonista o advogado John Weber, contrário à pena de morte, que defende no tribunal um jovem acusado de assassinar sete homens. Antes de cometer o crime, o rapaz trabalhava como guarda de prisão, justamente no corredor da morte. Um filme forte, que provoca reflexões fundamentais.


05- "A Princesinha" (A Little Princess), dirigido por Alfonso Cuarón (1995).

- Adaptação da obra de Frances Hodgson Burnett, esse filme mostra que a verdadeira nobreza está presente no caráter, e não nas posses. Com atuações marcantes e uma narrativa sensível, "A Princesinha" revela como a imaginação e a bondade podem suavizar realidades duras. Embora voltado ao público infantil, é uma obra que emociona e ensina em qualquer idade.

domingo, 23 de novembro de 2025

Por que trabalhar poesia com crianças e adolescentes?

Para qualquer professor que esteja em sala de aula na atualidade, é uma difícil tarefa encontrar textos que apresentem bom conteúdo para estudo e, ao mesmo tempo, sejam interessantes para os estudantes. Na minha opinião, enquanto professor de Língua Portuguesa e poeta, percebo que os poemas têm se tornado uma ótima alternativa.

No aspecto da leitura, os textos em verso são, em sua maioria, curtos (dificilmente passando de uma página), lúdicos (pois são divertidos), sensoriais (porque mexem com os sentidos) e ritmados (o que combina perfeitamente com a música, uma forma de arte que agrada tanto às crianças quanto aos adolescentes). Por sua vez, se considerarmos a escrita de poesia, também aqui a pequena extensão ajuda, assim como se mostra instigante e importante, uma vez que, quando alguém coloca sentimentos e pensamentos em verso, essa prática funciona como uma espécie de catarse. Podemos afirmar, então, que leitores e escritores de poesia se reorganizam e se tornam seres verdadeiramente humanos (caso se permitam), tendo em vista que é fundamental deixar a sensibilidade vir à tona, seja para apreciar, seja para produzir textos desse gênero.

Retomando a minha experiência profissional, acrescento que tenho realizado, há anos, um trabalho em que estudo com meus alunos um poema curto por semana. No começo, há certa resistência por parte das crianças e dos adolescentes; depois, eles até pedem para que esse momento ocorra, já que se habituaram a ele, gostaram de participar da análise dos poemas e perceberam o quanto isso agregou à vida escolar deles. Além disso, neste ano, comecei a publicar em meu site pessoal poemas escritos por estudantes que percebo terem mais habilidade para a poesia, não apenas divulgando o que produzem, mas também ajudando-os a melhorar. Essa tem sido uma experiência fantástica, pois comprova que me importo com eles, com o que escrevem, pensam e sentem. Isso também provoca uma corrente do bem entre os discentes, já que eles me indicam outros colegas que escrevem bons poemas, o que tem resultado no aumento do conteúdo postado no site e no engajamento dos alunos nas aulas.

Portanto, o uso da poesia em sala de aula só traz vantagens. Como ferramenta de leitura, desde que bem escolhidos, os poemas fascinam os estudantes, pois os tiram da zona de conforto. E, como ferramenta de escrita, funcionam como terapia para os alunos e os conectam mais aos professores que propõem essa atividade. Em relação aos versos que me entregam para publicação, são textos que não nascem da obrigação ou da busca por nota, mas da necessidade de escrever. Essa prática auxilia na percepção e na sublimação do que sentem e pensam, além de proporcionar protagonismo e autoestima ao jovem poeta. Na sala de aula, a poesia não é dever: é encontro, é respiro, é vida.

sábado, 20 de setembro de 2025

Decente alegoria docente

Certa vez, um governante encontrou um professor no meio do caminho. Então, sem pestanejar, pegou o facão de desbastar mato que sempre usara e cortou os dedos dos pés do professor. Em seguida, sem dó nem piedade dos gritos e lamentações do outro, ordenou: “Caminha!” – ao que o seu servo obedeceu, com muita dificuldade. Satisfeito com o espetáculo, o mandatário foi-se embora.

Num outro dia qualquer, a cena se repetiu. O governante ficou espantado que o professor tinha arranjado forças para se recuperar. Sendo assim, desta vez, usou a arma branca para eliminar completamente os pés do professor. Depois, vociferou: “Caminha!” – e o outro não conseguiu nem ficar em pé. O senhor afastou-se um pouco do seu servo e estendeu um chocolatinho em sua direção. O coitado do professor, entre lágrimas e lamúrias, tentou se arrastar até a guloseima, que, logo após, foi atirada pelo contente mandatário em sua cara.

Contudo, surpreendentemente, numa terceira oportunidade, o governante enxergou, ou melhor, viu o professor dando um jeito de seguir em frente, com próteses e muletas baratinhas. Ficou furioso! Agora, faria um serviço de qualidade. Utilizando-se dos mesmos artifícios, retirou as pernas do humilde educador. Distanciou-se por alguns metros, lançou ao chão uma nota de R$ 50, e, nesta ocasião, o outro esboçou uma reação, mas, posteriormente, desfaleceu. Com isso, o mandatário, gargalhando, orgulhosamente saiu de cena.

Quando lhe perguntaram o que havia acontecido, discursou: “Oferecemos ao nosso servidor todos os benefícios e incentivos possíveis. Porém, carregado de ofensiva ingratidão, ele cada vez demonstrou menos vontade de seguir em frente. E, no momento em que tentamos uma última investida, o sem vergonha desistiu da Educação.”

(Segue, porque essa história não tem fim...)