terça-feira, 24 de março de 2026

Nossas turmas na escola e a imprevisibilidade da vida

Hoje pela manhã, pensei: poucas coisas demonstram tão bem a imprevisibilidade da vida quanto as nossas turmas na escola.

No fim de cada ano letivo, os alunos costumam imaginar que, no próximo, tudo permanecerá igual: os mesmos colegas, professores, amigos — quem sabe até a mesma sala.

Mas quando o futuro se torna presente, surgem os estranhamentos: alguns mudaram de turma, de escola, de cidade; outros foram reprovados; e há sempre os recém-chegados, vindos de outros lugares ou repetindo o ano. Ao mesmo tempo, antigos amigos podem já não se reconhecer. Afinal, as pessoas mudam mesmo sem sair do lugar.

A ambientação ao novo é difícil para ambos os lados: para quem já se sente pertencente ao ambiente e se incomoda com o novo contexto, e para quem chega e precisa desbravar prédios e pessoas, tentando construir pontes em vez de muros. Para os que permanecem, cabe o acolhimento. Para os que chegam, a coragem. Para todos, a aceitação.

No fim, o tempo acomoda tudo e nos mostra que a vida não deveria ser maremoto, mas sempre lago.