sábado, 20 de setembro de 2025

Decente alegoria docente

Certa vez, um governante encontrou um professor no meio do caminho. Então, sem pestanejar, pegou o facão de desbastar mato que sempre usara e cortou os dedos dos pés do professor. Em seguida, sem dó nem piedade dos gritos e lamentações do outro, ordenou: “Caminha!” – ao que o seu servo obedeceu, com muita dificuldade. Satisfeito com o espetáculo, o mandatário foi-se embora.

Num outro dia qualquer, a cena se repetiu. O governante ficou espantado que o professor tinha arranjado forças para se recuperar. Sendo assim, desta vez, usou a arma branca para eliminar completamente os pés do professor. Depois, vociferou: “Caminha!” – e o outro não conseguiu nem ficar em pé. O senhor afastou-se um pouco do seu servo e estendeu um chocolatinho em sua direção. O coitado do professor, entre lágrimas e lamúrias, tentou se arrastar até a guloseima, que, logo após, foi atirada pelo contente mandatário em sua cara.

Contudo, surpreendentemente, numa terceira oportunidade, o governante enxergou, ou melhor, viu o professor dando um jeito de seguir em frente, com próteses e muletas baratinhas. Ficou furioso! Agora, faria um serviço de qualidade. Utilizando-se dos mesmos artifícios, retirou as pernas do humilde educador. Distanciou-se por alguns metros, lançou ao chão uma nota de R$ 50, e, nesta ocasião, o outro esboçou uma reação, mas, posteriormente, desfaleceu. Com isso, o mandatário, gargalhando, orgulhosamente saiu de cena.

Quando lhe perguntaram o que havia acontecido, discursou: “Oferecemos ao nosso servidor todos os benefícios e incentivos possíveis. Porém, carregado de ofensiva ingratidão, ele cada vez demonstrou menos vontade de seguir em frente. E, no momento em que tentamos uma última investida, o sem vergonha desistiu da Educação.”

(Segue, porque essa história não tem fim...)